FINAL DE SEMANA PARA ARREBENTAR OS OUVIDOS

O final de semana passado começou na sexta à noite, com a espetacular continuação do festival Dissenso. Apresentaram-se na sede do selo especializado em post-rock três bandas. Uma dispensa maiores comentários, a Herod Layne, que encerrou o festival com um set competente e que mostra a sua evolução a cada show. Músicas novas foram tocadas e há previsão do uso de novos instrumentos, como violoncelo, nos próximos trabalhos, que devem ser um single no primeiro semestre e um CD full no segundo - o que, mesmo sem ouvir, já credencia a banda a lançar um dos grandes trabalhos de post-rock em 2010 (e falo em nível mundial).
Abrindo a festa, o Baobá Stereo Club mostrou seu post-rock clássico, calcado em Tortoise mas com sutis diferenciações. Não conhecia e fiquei embasbacado com a qualidade das canções. Entre as duas, surpreendeu-me os recifenses do Team Radio, com um trabalho de guitarra solo maravilhoso, que por vezes me lembrou o Lawrence, do Felt. Mas a banda também tem seu lado noise, que nos melhores momentos remete ao Ride.
Já do festival Extravaganza, organizado pela Asteroid, casa que tem como um dos proprietários o Mario, do Wry, posso falar apenas do dia que presenciei, o sábado (não foi possível assistir as apresentações do Team Radio, Herod Layne, Hurtmold, Hoping to Collid With e Alma Mater no domingo).
Em linhas gerais, a programação foi bem eclética. De shoegazer clássico mesmo, pode-se considerar o Wry e o Duelectrum. O Inverness é shoegazer mas encaminha-se para um lado mais psicodélico/eletrônico, que muitos chamam de nugazer. O show foi uma viagem só. Ao Duelectrum coube a honra de abrir o festival, caprichando nos momentos noise. Felipe manda cada vez melhor no vocal etéreo, enquanto o Luis desce a lenha na bateria. Maravilha!
A segunda banda a tocar foi o Pale Sunday, que há muito queria assistir. Foi a realização de um sonho. Ou melhor, mais do que um sonho, pois jamais poderia imaginar que a melhor banda twee brasileira tivesse a coragem de tocar uma cover do House of Love (no caso, Man to Child). O melhor de tudo é que a banda está na ativa e está para lançar um EP pela conceituada gravadora de indiepop americana Matinée Records.
Depois do Pale veio a psicodelia do Inverness e, depois deles, o shoegazer rock do The Soundscapes, outra agradável surpresa. Ele capricham mais na melodia das guitarras, mas também usam o noise como referência.
Fechando a noite, os anfitriões. É difícil escrever sobre um show do Wry porque nunca é o mesmo. A banda liderada pelo Mario Bros, mas com outros três integrantes supercompetentes, passeia com impressionante categoria pelo guitar pop, noise rock, shoegazer e psicodelia. O legal é que parece que eles estão injetando o noise mesmo nas músicas mais antigas, e que não tinham essa conotação na origem. Apesar de não tocarem Touch, a minha favorita do novo álbum She Science, fizeram três inserções noise extensas que deixariam o Mr. Kevin Shields orgulhoso.
Foram dias inesquecíveis e, ao que parece, vão se repetir com intensidade em 2010. Desejo um ótimo ano e que se repitam esses momentos gloriosos a todos os participantes destes magníficos festivais!

ps: Agradeço ao pessoal do Herod Layne a experiência inesquecível de tocar alguns minutos de bateria no final da música Walking the Valley. Inesquecível e emocionante. O vídeo coloco assim que o Youtube parar de fazer graça!

Comentários

  1. Johnny - gostaria de agradecer a participação de convidado especial em Walking the Valley.

    Obrigado por fechar o ano conosco!

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