II SINEWAVE FESTIVAL CONSOLIDA CENA POST-ROCK/SHOEGAZER NACIONAL

O segundo festival shoegazer/post-rock organizado pela Sinewave foi o terceiro dos cinco que ocorrerão em 2009 no Brasil - pelo que eu sei. Muito bem produzido, com poucos problemas técnicos, prontamente sanados pela equipe de prontidão, ou mesmo por pessoas de outras bandas (o que mostra esse lado sensacional da cena, onde todos se ajudam e curtem o som uns dos outros), não deixou em nada a desejar.
A Livraria da Esquina, mesmo local da primeira edição, só que em outro palco, mostrou-se uma casa perfeita para esse tipo de evento. Tudo ficou certo para que os presentes pudessem escutar as grandes canções despejadas pelas bandas.
Não estava na Inglaterra na época no nascimento do shoegazer, lá no fim da década de 80, mas não dá pra deixar de notar a semelhança da cena atual no Brasil com a britânica. Os inventores do shoegazer até foram chamados pela imprensa local como participantes de "uma cena que celebra ela mesma", pelo fato de membros do Ride assistirem todos os shows do Pale Saints, os quais também presenciavam shows do Chapterhouse, e assim por diante. Na Livraria da Esquina estava a nata da cena shoegazer/post-rock nacional. Além dos anfitriões e competentes Elson (e companheiros) do Herod Layne, Felipe e Luís (Duelectrum) mais quase toda a galera que lança seus trabalhos pela Sinewave (Labirinto, Allice, Black Sea, Hoping to Collide With), estavam presentes o Marco, baixista do Old Magic Pallas, o Firefriend em peso, e o vocalista do Wry, Mario, que presenteou o público com uma discotecagem histórica, sem privilegiar os clássicos e tocando principalmente a nova cena mundial do shoegazer. Dos antigões, somente o obrigatório My Bloody Valentine.
O evento aconteceu no último final de semana de novembro. No sábado, a abertura coube ao Black Sea que fez, sem dúvida, o post-rock mais pesado entre os participantes do festival. Guitarras bem marcadas e vocal quase que gutural marcaram seu show.
A seguir, o post-rock clássico do Hoping to Collide With, que privilegia as viagens de guitarra em fraseados inebriantes. Show!
Para encerrar a noite, o Herod Layne com seu post-rock igualmente clássico e ainda mais psicodélico e experimental, com direito a covers e o tradicional solo de bateristas ao final da apresentação.
No domingo, o Allice fez a apresentação mais experimental do evento, com o uso de múltiplos instrumentos, o que resultou em um post-rock original mas nem por isso caótico. Os músicos conseguiram direcionar as canções a uma linha melódica única, apesar da diferença dos timbres dos instrumentos usados. Confesso que fiquei surpreso.
Os dois shows finais do evento privilegiaram o shoegazer. Loomer e Duelectrum provaram que tem nível internacional e isso é motivo de orgulho para toda a cena.
Os membros do Loomer, banda de Porto Alegre, confessaram-se nervosos antes da apresentação, mas fizeram um shoegazer impressionante, que deixaria os caras do A Place To Bury Strangers assombrados. Distorção, microfonia e reverbs em alto grau, deixaram ensandecidos os presentes, ainda mais durante uma histórica cover do MBV, e no meio de canções, que fez lembrar muito a banda de Mr. Kevin Shields. Se não bastasse, as viradas de bateria remeteram direto à melhor banda da história da Irlanda.
Fechando com chave de ouro o festival, o Duelectrum subiu ao palco e, como o Loomer, presenteou a todos com um show de guitarras distorcidas e outros efeitos. Ainda teve a gentileza de convidar o anfitrião Elson para dar uma canja nos teclados em uma das músicas.
Depois do II Sinewave teremos o festival da Dissenso nos dias 13 e 18 de dezembro, também com muita gente boa, como o Herod Layne, Duelectrum e National e, para encerrar o ano brilhantemente, acontecerá nos dias 19 e 20 de dezembro em Sorocaba, na casa Asteroid, do pessoal do Wry, o festival Extravaganza, com o Wry (claro!), o onipresente Herod Layne (um dos destaques do festival Calango, que privilegia bandas hardcore, vejam só!), o Inverness e muitos outros.
Para quem teve a felicidade de assistir aos últimos shows do MBV e recebeu aqueles tampões de ouvido ofertados pela banda, sugiro tirarem da gaveta, porque serão muito úteis em dezembro... Como diz o Elson, O NOISE É O CAMINHO!!!!




As músicas do arquivo são das bandas que fizeram parte do festival, por ordem de apresentação, entremeadas por três exemplos do que foi o set list do DJ Mario (Wry) no domingo:

01 - black sea - drafts
02 - black sea - i want a saint with my name
03 - hoping to collide with - the last straw
04 - hoping to collide with - unrivaled
05 - herod layne - crossroad
06 - herod layne - the cross
07 - my bloody valentine - nothing much to lose (By DJ Mario - Wry)
08 - allice - allice
09 - allice - jardim de inverno
10 - a place to bury strangers - it is nothing (By DJ Mario - Wry)
11 - loomer - damned
12 - loomer - ghosts
13 - my bloody valentine - sueisfine (By DJ Mario - Wry)
14 - duelectrum - ultrasensor
15 - duelectrum - tempestadestelar

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